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BRUMADINHO

Um ano após desastre, famílias lançam pedra inaugural de memorial para vítimas de Brumadinho

O memorial será construído em um sítio comprado pela Vale, próximo ao campo de futebol onde eram colocados os corpos resgatados da lama pelos Bombeiros

25/01/2020 15h00
Por: Kamila Reis
Fonte: Folha Press
O rompimento da barragem de Brumadinho resultou na morte de mais de 250 pessoas (Foto: REUTERS/Washington Alves/Direitos Reservados)
O rompimento da barragem de Brumadinho resultou na morte de mais de 250 pessoas (Foto: REUTERS/Washington Alves/Direitos Reservados)

Às 9h09 deste sábado (25), tocou-se um sinal para fazer silêncio. Enquanto isso, 272 balões brancos eram soltos na base do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais próxima à mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG). Ao fundo, cruzes brancas lembravam o nome de cada uma das vítimas da tragédia de um ano atrás.

Perto desta hora, no ano passado, Josiane Melo, 38, recebeu a última mensagem da irmã mais velha, Eliane, 39. Ela estava com os sobrinhos e a mãe em um hotel fazenda, no último dos cinco dias de férias que havia tirado –os outros 25 ela pretendia passar ajudando a irmã com Maria Elisa, que nasceria em quatro meses.

Quando viu um bezerro mamando em uma vaca que seguia caminhando, Josiane achou engraçado, filmou e mandou para Eliane, que estava trabalhando, brincando que ela e a primeira filha seriam como os dois, uma sempre indo atrás da outra.

“Foi exatamente isso que aconteceu. Minha irmã foi e levou a Maria Elisa. Foi a última mensagem que ela postou no grupo. Ela zoando a gente, dizendo: ‘hahaha, eu vou deixar com as tias para olhar a neném'”, lembra.

Josiane é engenheira civil da Vale e está de licença desde o rompimento da barragem. Com a irmã, ela perdeu o supervisor, colegas e amigos de 15 anos de carreira.

“Hoje me sinto sem irmã, sem sobrinha, sem meus amigos, meus colegas de trabalho, sem minha carreira profissional e sem emprego. Estou de licença, mas não tenho condições de retornar”, diz.

Ela é a presidente da Avabrum, a associação criada para reunir familiares e vítimas da tragédia, que é idealizadora do memorial em homenagem às vítimas. O rompimento da barragem B1 deixou 270 mortos na contagem oficial –259 identificados e 11 ainda desaparecidos. As famílias contam 272 mortes, incluindo dois bebês que estavam nas barrigas das mães, como Maria Elisa.

O memorial será construído em um sítio comprado pela Vale, próximo ao campo de futebol onde eram colocados os corpos resgatados da lama pelos Bombeiros e à igreja que funcionou como primeiro ponto das equipes de resgate.

A previsão é que no próximo mês os familiares escolham em assembleia entre os quatro projetos feitos por empresas contratadas pela Vale. Os familiares querem que o local sirva como espaço de memória, que conte a história do desastre, das vítimas, mas também funcione como lugar de paz para quem ficou.

Inicialmente, a ideia era que ficasse localizado de frente ao ponto onde antes se via a barragem B1, mas por questões de segurança –há outras barragens no complexo minerário– e pelas buscas pelos desaparecidos que não têm previsão de terminar, acabaram acordando com o local próximo.

Do ponto onde ficará o memorial, visitantes poderão ver o trajeto por onde a onda de lama passou arrastando o que estava no caminho. A prioridade, segundo Josiane, é a construção de um anexo para receber os segmentos de corpos resgatados, de pessoas que já haviam sido identificadas.

“A proposta é que seja um cemitério vertical, ecológico, onde aqueles segmentos que já estão identificados no IML, de pessoas que já foram enterradas, ao invés de irem para uma vala comum, num cemitério qualquer em Belo Horizonte, venham para esse lugar”, explica.

No ano passado, famílias que quisessem enterrar seus entes com partes do corpo já identificadas tinham de assinar um termo abrindo mão de segmentos que pudessem ser encontrados no futuro e autorizassem que o IML desse uma destinação a eles. Mas a Avabrum conversa com a Polícia Civil e o IML para mudar isso.

A cerimônia deste sábado teve o local transferido para um ponto simbólico na base dos Bombeiros devido às chuvas que atingem a região metropolitana de Belo Horizonte. A placa em homenagem às vítimas foi descerrada por familiares, com o governador Romeu Zema (Novo), o prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo Barcelos (PV), e autoridades.

“A questão do memorial é um ponto de honra para mim e para meu governo. Se a Vale tiver de fazer alguma reparação, alguma compensação, a prioridade é o memorial por essas pessoas. Esse memorial é o que vai deixar claro que esse tipo de fato nunca mais pode acontecer. É algo que tem que servir para o futuro”, afirmou Zema.

O prefeito de Brumadinho lembrou ainda da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais, esta semana, onde 16 pessoas foram acusadas por homicídio doloso e crimes ambientais –a Vale e a Tuv Sud também foram acusadas pelo segundo.

“A denúncia está muito bem fundamentada e a gente percebe que a justiça está começando a ser feita”, afirmou Barcelos durante seu discurso.

Também foram entregues placas a quem prestou serviços pelas consequências do desastre nos últimos 365 dias. Zema foi um dos homenageados, junto com instituições que fizeram parte das investigações e negociações de acordos, como Defensorias Públicas e Ministérios Públicos estadual e federal.

A entrega da placa ao chefe do Corpo de Bombeiros e aos Bombeiros foi aplaudida em pé pelas famílias das vítimas. No caminho entre Mário Campos e Brumadinho, uma faixa agradecia o trabalho da corporação na mais longa operação de buscas do Brasil.

Outra faixa, lembrava que 20 pessoas da cidade vizinha estão entre os 270 mortos. Outras, pediam justiça em nome das vidas perdidas na manhã de 25 de janeiro de 2019 e chamavam a mineradora, responsável pela barragem, de assassina.

“Eu quero justiça por todos aqueles que são responsáveis. Sei que a empresa não é responsável, são CPFs. Quero que esses CPFs sejam punidos”, diz Josiane.

 

 

 

**Informações Folha Press

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