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70% dos abusos sexuais contra crianças ocorre dentro de casa em Goiânia

Período de pandemia, em que as vítimas precisam ficar isoladas com os agressores e longe das escolas, preocupa especialistas

28/05/2020 16h15
Por: Kamila Reis Fonte: Mais Goiás
Mais de 70% da violência sexual contra crianças e adolescentes em Goiânia ocorre dentro de casa, segundo dados revelados pela Prefeitura (Foto: Weimer Carvalho)
Mais de 70% da violência sexual contra crianças e adolescentes em Goiânia ocorre dentro de casa, segundo dados revelados pela Prefeitura (Foto: Weimer Carvalho)

Dados divulgados pela Prefeitura de Goiânia nesta quinta-feira (28) revelam uma realidade preocupante na capital. Em 2019, foram 942 notificações de violência contra crianças e adolescentes na cidade. Deste número, 255 casos foram de abuso sexual. O mais assustador é que para muitas vítimas o perigo mora dentro de casa, já que 71,4% das agressões ocorrem no âmbito familiar, na residência da vítima.

Segundo o Núcleo de Prevenção à Violência, a maioria das notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes se referem a vítimas do sexo feminino (80%), da etnia negra (61%) e residentes na região urbana (95%). Aproximadamente 40% ocorreram mais de uma vez e 9% das vítimas possuíam algum tipo de deficiência ou transtorno.

Os dados revelam, ainda, que as vítimas estão bastante próximas dos agressores, pois 59% dos casos são praticados por pai, mãe, irmão, padrasto e madrasta. Outros 42,7% são cometidos por amigos e conhecidos. Cerca de 46,6% são praticados por outros, sendo que, nesta categoria, 71% são tios, avós, bisavós e primos das vítimas.

Os abusadores são, na maioria, homens e representam 85,5% dos registros totais. A prática de violência por parte de mulheres é de 6,3% dos casos.

Quanto à tipificação, 22,7% dos casos de violência contra crianças e adolescentes em 2019 foram assédios sexuais; 67,1% estupros; 5,9% pornografia infantil; 3,1% exploração sexual e 4,7% outras violências.

 

Perigo redobrado

Para a psicóloga e Doutora em Educação, Maria Aparecida Alves da Silva, o perigo é ainda maior durante o período da pandemia do novo coronavírus, visto que, em muitos casos, as vítimas precisam ficar confinadas em casa juntamente com os agressores.

“São avós, bisavós, tios , primos, enfim, pessoas que deveriam proteger quem cometem os crimes. Em geral, a violência acontece dentro da própria residência, com vínculos mais importantes e de confiança. São pessoas que aproveitam dessa confiança para cometer a violação. Nesse período pandêmico é ainda mais complicado porque a gente perde uma ferramenta importante de denúncia que é a escola”, disse.

De acordo com a médica sanitarista Marta Maria Alves da Silva, o isolamento é necessário para evitar o aumento de casos de covid-19. Em contrapartida, pode significar aumento da violência contra crianças e adolescentes. Por isso, segundo ela, é importante que os vizinhos, professores e profissionais de saúde fiquem atentos.

“Perdemos um espaço de denúncia muito importante, que é a escola. Nela, muitos casos de violência são descobertos. Agora, nesse momento em que precisamos ficar em casa, temos que garantir a segurança das crianças. Os vizinhos podem e devem ficar atentos a sinais e sintomas das vítimas. Os profissionais de saúde devem ficar atentos durante aplicação de vacinas e consultas, por exemplo. Os professores precisam continuar mantendo o vínculo de confiança mesmo que virtualmente”.

Segundo ela, também é preciso dar atenção especial às redes sociais. “É de lá que vêm muitas denúncias. Os jovens podem usar esses meios para relatar eventuais abusos”, comentou.

E completou: “precisamos ensinar para as crianças, desde sempre, que o corpo não pode ser tocado. Muitas vítimas nem sabem que aquilo é violência. Precisamos alertar as crianças para que, no mínimo sinal de violência, saibam identificar e reportar isso”.

 

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