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Geral DOIS HOMENS DETIDOS

Babá é presa suspeita de ajudar a planejar morte de mulher que sumiu ao chegar em aeroporto para ficar com a filha da vítima

Segundo polícia, ela agiu na parte logística do crime com interesse em se tornar mãe da criança, de 4 anos. Investigação apontou que Lílian de Oliveira teve corpo carbonizado em fornalha. Dois homens já foram presos.

24/06/2020 17h33
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Segundo polícia, Lilian foi morta com pancada na cabeça e teve corpo queimado em fornalha — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Segundo polícia, Lilian foi morta com pancada na cabeça e teve corpo queimado em fornalha — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A Polícia Civil prendeu mais uma pessoa suspeita de elo com a morte de Lilian de Oliveira, de 40 anos, após a chegada dela no aeroporto de Goiânia de uma viagem à Colômbia. Cleonice de Fátima Ferreira era babá da filha da vítima, que, segundo as investigações, foi morta com uma pancada na cabeça e teve o corpo carbonizado em uma fornalha. A corporação aponta que ela agiu na parte logística do crime e tinha interesse em ficar com a criança, de 4 anos, após o assassinato.

Ela foi presa na terça-feira (23), em Pires do Rio, no sul de Goiás e preferiu ficar em silêncio durante o depoimento. Dois homens já estavam presos suspeito do crime. A polícia concluiu que o empresário Jucelino Pinto Fonseca, que teve um relacionamento extraconjugal com a vítima, contratou um amigo, Ronaldo Rodrigues Ferreira, para matá-la.

A defesa de Cleonice e Juscelino disse que a prisão dela é "claramente ilegal". Já em relação a ele, afirmou que a detenção foi feita com base em "versões contraditórias e completamente frágeis".

A defesa de Ronaldo, por sua vez, disse que está convicta da inocência dele (Leia os posicionamentos na íntegra ao final do texto).

 

Interesse na criança

De acordo com a polícia, Cleonice "teria intermediado toda a ação criminosa, pois era a única pessoa que tinha contato direto com a vítima". O intuito dela, segundo o delegado Thiago Martimiano, era ficar com a filha de Lílian.

"A Cleonice tinha esse interesse de cuidar da filha da vítima. O plano de saúde da menina estava em nome da Cleonice, ela ia na escola, agia como mãe. Então nós não temos dúvida nenhuma que, de fato, o interesse da Cleonice nisso tudo foi a criança", afirmou.

A corporação afirma ainda que ela negociou a passagem de Ronaldo para a Colômbia - quando teria ido para tentar matá-la numa primeira ocasião.

Além disso, por ter contato com a família de Lilian, teria atrapalhado as investigações, afirmando aos parentes que ela sequer havia voltado ao Brasil, "retardando o registro do desaparecimento".

Babá Cleonice de Fátima Ferreira é suspeita de elo com a morte de Lílian de Oliveira — Foto: Polícia Civil/Divulgação

 

Corpo carbonizado em fornalha

De acordo com as investigações, ela foi assassinada, teve o corpo carbonizado e jogado dentro da fornalha de um laticínio, pertencente a Juscelino.

Ronaldo, que foi quem buscou Lílian no aeroporto, confirmou, em depoimento, que deu um golpe de marreta nela. Em seguida, ele parou o carro em um lixão, pois, segundo o delegado, havia combinado com Jucelino que só levaria o corpo para o laticínio mais tarde, quando o expediente já tivesse sido encerrado.

Já no laticínio, conforme a polícia, ambos teriam carbonizado o corpo e abandonado as cinzas.

Segundo polícia, Lilian foi queimada e teve o corpo jogado em fornalha — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Nota da defesa de Ronaldo:

A defesa de Ronaldo disse em nota que permanece convicto de sua inocência, reafirmando que em decorrência da carona após o desembarque de Lilian no aeroporto, Ronaldo entregou Lilian viva para Jucelino. Por esta razão, recorrerá a instâncias superiores para impetrar o habeas corpus para ter devolvida a sua liberdade.

 

Nota da defesa de Cleonice e Jucelino:

O escritório SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

De início, enfatizamos que a equipe SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS, atualmente, representa os investigados J.P.F e C.F.F. no caso que apura o desaparecimento de LILIAN DE OLIVEIRA.

Em decisão proferida em 22.06.2020, o Juízo da 1ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos Contra a Vida converteu a prisão temporária de J.P.F para prisão preventiva, bem como decretou a prisão preventiva de C.F.F. (que até então permaneceu em liberdade durante toda a investigação).

A decisão em comento atende a pedido da autoridade policial titular da DEIC. Salienta-se que a medida se mostra descabida e desnecessária, pois, conforme o Delegado já veiculou a imprensa por diversas vezes, as investigações já foram concluídas e, inclusive, o Inquérito Policial foi remetido ao Poder Judiciário em 19.06.2020.

Em relação a investigada C.F.F a defesa enfatiza que sua prisão é claramente ilegal, uma vez que desde o princípio a investigada permaneceu em liberdade, colaborou com a polícia civil comparecendo em todos os atos solicitados, e, após a conclusão do inquérito, não se vislumbra qualquer elemento que possa justificar a medida extrema em seu desfavor.

Destaca-se que, por duas vezes, o Juízo competente NEGOU o pedido de decretação da prisão temporária de C.F.F. Causa, portanto, espanto o decreto de prisão preventiva em um contexto em que nada se alterou após a conclusão do inquérito.

Em relação ao J.P.F a defesa assevera que o suspeito é empresário respeitado no núcleo social em que convive, é um senhor de quase 60 anos, sem antecedentes, possui trabalho e residência fixos, e goza a presunção de inocência prevista na Constituição Federal.

Não fosse isso, conforme já informado por essa banca defensiva, J.P.F. foi ouvido por três vezes, sem a presença de advogado, sendo que, após a última oitiva realizada em 30.05.2020, fora constatado no investigado lesões visíveis (tal constatação foi feita pela Comissão de Direitos Humanos da OAB e laudo do IML).

Outrossim, o pedido de prisão preventiva dos investigados se baseia em declarações desencontradas de R.R.F que apresentou, no mínimo, 02 (duas) versões contraditórias e completamente frágeis.

Por fim, o escritório SIFFERMANN & ROCHA ADVOGADOS ASSOCIADOS informa que irá se pronunciar sobre detalhes do caso (por intermédio de coletiva e nota) a partir do dia 29.06.2020.

 

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