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Operação que investiga padre Robson e desvio de dinheiro da Afipe completa um mês, e religioso segue afastado

Promotores acreditam que parte das doações foi usada para comprar de imóveis de luxo. Sacerdote sempre negou qualquer irregularidade.

21/09/2020 13h56
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Padre Robson Oliveira segue afastado um mês após Operação Vendilhões — Foto: Reprodução/Instagram
Padre Robson Oliveira segue afastado um mês após Operação Vendilhões — Foto: Reprodução/Instagram

A Operação Vendilhões, que investiga o padre Robson de Oliveira e a suspeita de desvio de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) completa um mês nesta segunda-feira (21). Os promotores apuram se o dinheiro de doações feitas pelos fiéis foram usados para finalidades não ligadas à igreja, como compra de fazendas e até casa na praia. O religioso, que sempre negou qualquer irregularidade, está com os direitos de realizar celebrações suspensos.

A Afipe é responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Até a ação do MP, no dia 21 de agosto, ela era presidida pelo padre Robson. De acordo com as investigações, a entidade chegava a receber mensalmente R$ 20 milhões e, nos últimos nove anos, movimentou mais de R$ 2 bilhões.

Parte do dinheiro deveria ser usado na construção da nova Basílica, que foi avaliada inicialmente em R$ 100 milhões, mas que atualmente tem previsão de custar R$ 1,4 bilhão. O Ministério Público revelou que o sino comprado para a nova igreja custou R$ 17 milhões.

Obra da nova Basílica de Trindade está em fase inicial — Foto: Guilherme Rodrigues/TV Anhanguera

Porém, parte desse dinheiro, cerca de R$ 120 milhões, teria sido desviado. Segundo os promotores, entre os bens comprados com o valor estão um avião, uma casa na praia em Guarajuba (BA) no valor de R$ 2 milhões, e mais de 50 fazendas, uma delas avaliada em mais de R$ 90 milhões.

Entre as movimentações listadas também estão a compra e venda de rádios, e transferências financeiras a empresas de comunicação e imobiliárias. Algumas das empresas funcionam no mesmo endereço, em um prédio de luxo de Goiânia. Os promotores acreditam que postos de combustíveis eram usados para a lavagem de dinheiro.

Entretanto, o padre Robson nega qualquer irregularidade. Em um vídeo gravado um dia após a operação do MP, ele disse que todas as doações foram “empregada na própria associação Afipe em favor da evangelização”.

Os advogados de defesa do religioso apontam ainda que todos os negócios feitos tiveram o objetivo de aumentar os lucros da associação. Para isso, além da Afipe, foram criadas outras filiais com nomes semelhantes para gerir todo o dinheiro.

"Quando a Afipe adquire uma fazenda, por exemplo, para criar gado, tira dali lucro para manter as suas atividades, o que é completamente lícito e dentro do que o seu estatuto determina e autoriza, ela tem que abrir uma filial e tem um CNPJ diferente", explicou o advogado Klaus Marques, um dos defensores do religioso, no dia da operação.

Nesta segunda-feira, o advogado Pedro Paulo de Medeiros afirmou que, até o momento, o Ministério Público “não apontou nenhum crime” e que padre Robson não possuiu bem ou propriedade e nunca desviou dinheiro da Afipe. “Ele [padre Robson] ainda aguarda, com serenidade e tranquilidade, ser ouvido pelo MP, pois confia na Justiça e é o maior interessado no esclarecimento de todas as questões”, disse o defensor em um comunicado.

O Ministério Público não divulgou o balanço das ações feitas pela Operação Vendilhões no último mês. O padre ainda não foi ouvido pelos promotores.

 

Afastamento

No mesmo dia da operação, o religioso pediu afastamento da Afipe, alegando que o objetivo é contribuir com as investigações dos promotores.

A Arquidiocese de Goiânia suspendeu temporariamente o direito de realizar celebrações do padre Robson no dia 23 de agosto, dois dias após a operação. A assessoria da Arquidiocese informou que não há um prazo específico para esse afastamento, mas que ele deve continuar até o fim das investigações.

Após o afastamento do então presidente da Afipe, o Padre André Ricardo de Melo assumiu o cargo e também a reitoria do Santuário Basílica. Em uma nota, a assessoria informou que seria feito uma “profunda análise” na arrecadação e aplicação de recursos da Afipe.

Procurada por email e telefone desde as 8h, a Afipe não informou se esse processo de verificação financeira já foi iniciado e nem como ele tem sido feito.

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) chegou a informar, na época da operação, que foi pega de surpresa com o caso. Nesta segunda-feira, a assessoria informou que a entidade não tem ligação com o caso.

O G1 também procurou por email às 11h40 o Vaticano para saber se há algum acompanhamento sobre as investigações, mas ainda não obteve retorno.

 

Extorsão

Os promotores investigam os crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, sonegação fiscal e associação criminosa. Todo caso começou após um caso de extorsão contra o religioso.

Entre março e junho de 2017, o padre foi vítima de extorsão. Hacker ameaçaram divulgar supostos casos amorosos do religioso caso não fossem feitos pagamentos. De acordo com as investigações, Robson de Oliveira usou dinheiro da Afipe para pagar os criminosos. O montante chegou a R$ 2,9 milhões.

O MP identificou que os pagamentos aos hackers foram feitos com e sem o conhecimento da Polícia Civil. Cinco pessoas foram condenadas por extorsão. Parte do dinheiro ainda não foi recuperado pela entidade.

Porém, essa atitude gerou suspeita sobre os gastos altos da Afipe em casos não relacionados com as ações religiosas do órgão, o que deu início às investigações da Operação Vendilhões. Entre os materiais apreendidos estão documentos, equipamentos eletrônicos, moedas internacionais e até uma caneta espiã.

 

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