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MP se diz 'perplexo' com decisão a favor do padre Robson e revela que apura corrupção na relação de policiais civis com o sacerdote

Promotor afirma que paralisação da ação que apura desvios na Afipe, concedida pela Justiça, 'não corresponde aos fatos'. Ele afirma ainda que outro procedimento interrompido investiga agentes suspeitos de extorquir dinheiro do religioso em caso que originou Operação Vendilhões.

08/10/2020 12h57
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Justiça trancou ação contra padre Robson — Foto: Reprodução/Instagram
Justiça trancou ação contra padre Robson — Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) informou nesta quinta-feira (8) que viu com "perplexidade" a decisão da Justiça de trancar a investigação contra o padre Robson por suspeita de desvios milionários na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). O órgão revelou ainda que, paralela a esta apuração, existe outra, no mesmo âmbito, que tem como alvos agentes da Polícia Civil, suspeitos de corrupção quando o sacerdote foi alvo de uma extorsão de hackers, que originou a apuração sobre as movimentações irregulares.

O G1 contato a assessoria de imprensa da Polícia Civil por mensagem, às 11h42, e aguarda retorno.

Já a defesa do padre disse em nota que "nunca houve irregularidade enquanto padre Robson presidiu a Afipe" e que a "decisão do Tribunal de Justiça é autoexplicativa" (leia a íntegra ao final do texto).

As informações foram passadas durante entrevista coletiva virtual. De acordo com o promotor de Justiça Sebastião Marcos Martins, chefe do grupo que responsável pela Operação Vendilhões, que investigou o padre, as informações trazidas pela defesa do pároco que serviram como base para o pedido de trancamento "não correspondem aos fatos".

Ele explicou que concorda com a defesa do padre de que a investigação não foca na aquisição de bens como fazendas e casa na praia pela Afipe, mas sim de irregularidades feitas a partir delas. Por isso, reforçou que o órgão vai recorrer da decisão.

Casa de praia no valor de R$ 3 milhões foi adquirida pela Afipe — Foto: Reprodução/Fantástico

"A decisão fala que o MP não deve investigar se a Afipe pega a doação e compra de fazenda. Nós concordamos, porque não investigamos isso. Se compra fazenda, casa na praia, compra sino caro. Isso foi a mídia que tratou dessa forma. Sempre dissemos que isso é licito. A nossa questão são os desvios feitos a partir das compras realizadas. É uma decisão que a gente ficou perplexo", pontua.

Para justificar que o entendimento não foi correto, o promotor disse que a Justiça trancou não só a apuração sobre os desvios, mas também outra que versa sobre a suspeita de corrupção praticada por agentes da Polícia Civil no caso de extorsão ao padre, a qual originou a Operação Vendilhões.

"A partir da extorsão do padre, gerou-se dois procedimentos: um refere-se aos desvios na Afipe e outro sobre a investigação de agentes da Polícia Civil, do MP investigando possível corrupção da Polícia Civil e que pode ter acontecido no momento em que o padre foi extorquido", revela.

"Não só nesse momento [quando ele foi alvo de hackers]. Pode ter ocorrido corrupção em outros fatos que são também objeto da investigação. O procedimento apura a manipulação de dados do sistema da Polícia Civil. É o MP fazendo uma investigação criminal sobre agentes da polícia civil que, por alguma razão, tiveram contato com a Afipe e podem ter também extorquido o padre", completa.

Martins não disse quando essa investigação dos policiais começou, mas destacou que trata-se de uma "linha de investigação sigilosa". Para sustentar que não havia motivo para trancamento, incluindo desta ação, ele disse não ver qualquer relação com o que foi defendido e utilizado como argumento para bloquear a apuração.

"O que a compra da fazenda tem a ver com o policial civil que está praticando o crime na delegacia de polícia e está sujeitando alguém a uma extorsão ou algum tipo de constrangimento? É uma investigação que nós temos sobre a Polícia Civil. Não tem por onde se vincular essa investigação ao tema que era discutido habeas corpus. Não tem nada a ver uma coisa com a outra", salienta.

 

Provas

O também promotor Sandro Haldfeld, que também atuou na operação, disse que existe um grande conjunto de provas em desfavor do padre, inclusive, apresentadas por pessoas apontadas como "laranjas" na investigação, bem como de funcionários da própria Afipe.

Uma dessas evidências, segundo ele, é um documento apreendido no dia da operação enviado por um diretor da associação direcionado ao padre Robson. Em um trecho, lido pelo promotor, o servidor admite a ocorrência dos crimes investigados pelo MP.

"Quer dizer que a solução é passar o recibo, cristalizar a situação criminosa de lavagem de dinheiro, caixa 2, organização criminosa, simulação, desvio de finalidade, entre outros, e alegar que um presidente, um padre, diga-se de passagem, não qualquer padre, com mestrado, administrador de uma instituição milionária. Uma vez questionados responderão: 'Não sabíamos, não fizemos com dolo, erramos mas foi por desinformação e desconhecimento da lei", narrou.

 

Nota da defesa do padre:

A defesa reforça que nunca houve irregularidade enquanto padre Robson presidiu a Afipe. As decisões sobre recursos e investimentos eram divididas entre os dez membros da diretoria. Por não haver dinheiro público, a Afipe, entidade privada, é gerida e fiscalizada por este conselho, em atenção às regras constitucionais.

A decisão do Tribunal de Justiça é autoexplicativa, reconhece isso e deve ser cumprida.

O Ministério Público de Goiás, com histórico sempre muito zeloso, tem o direito de recorrer. A defesa e o padre Robson seguem acreditando na Constituição, na lei e no Poder Judiciário.

 

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