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Parecer aponta que Afipe pagou R$ 1,5 milhão por propagandas em rádio, valor compatível com inserções por quase 7 anos

Documento aponta que contrato com essa duração é 'inverossímil'. Nota fiscal feita à mão e sem descrição detalhada dos serviços prestados são considerados 'pontos frágeis' em acordo entre entidades. Defesa de padre Robson, então presidente da Afipe, sempre negou irregularidades.

13/10/2020 14h51
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Padre Robson era investigado por supostos desvios, mas Justiça interrompeu a apuração — Foto: Afipe/Divulgação
Padre Robson era investigado por supostos desvios, mas Justiça interrompeu a apuração — Foto: Afipe/Divulgação

Parecer jurídico obtido pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) mostra algumas transações feitas pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), enquanto presidida pelo padre Robson, com rádios para veiculação de material publicitário. Uma delas, descrita em uma nota fiscal feita à mão, no valor de R$ 1,5 milhão, chamou atenção dos técnicos. Isso porque, segundo levantado, o montante abarcaria um contrato de quase sete anos de inserções, o que foi considerado "inverossímil".

O G1 contatou a defesa do padre e com a assessoria da Afipe, por mensagem, às 12h55 desta terça-feira (13), e aguarda retorno. Em outras ocasiões, o padre sempre negou qualquer irregularidade. Já a entidade também assinalou que "questões relativas à gestão anterior estão sendo apuradas pelo Ministério Público".

A ação que investigava o padre no âmbito da Operação Vendilhões, que apura desvios milionários na Afipe, foi interrompida pela Justiça, que também determinou a devolução de documentos apreendidos na ação, entre eles, o parecer sobre esta transação. O MP informou que vai recorrer.

O documento destaca que a descrição do serviço consta apenas como "Veiculação conforme contrato", sem demonstrar qualquer detalhe, como tempo de contrato e quantidade de inserções. Mas a auditoria apontou uma "imensa distorção" no que diz respeito aos valores.

Consta no parecer que a rádio cobra, já com um desconto de "praxe", R$ 96 por inserções de 30 segundos. O levantamento aponta que, normalmente, são oito veiculações diárias, durante 24 dias no mês. Com isso, seriam 192 menções mensais, totalizando, neste período, R$ 18,4 mil.

Para chegar ao valor contido na nota fiscal, o acordo deveria ser de 81 meses, ou seja, seis anos e nove meses. É incomum, segundo o material, um montante deste tamanho sendo coberto por apenas uma nota fiscal.

Além disso, o parecer também apontou outros "pontos frágeis" na transação, tais como:

Simplicidade do documento, feito à mão, quando o comum, pelo valor, seria por meio eletrônico;

Descrição incompleta dos serviços, sem qualquer detalhamento, como a quantidade de veiculações, os número de referências e indicações de horários;

Nenhuma referência ao teor ou data do contrato entre a Afipe e a rádio;

Padre Robson Oliveira nega irregularidades — Foto: Reprodução/Instagram

 

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