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Cidades 'NÃO MORREU SOZINHO'

Padrinho fala sobre cantor sertanejo baleado por amigo em Goiânia: 'Não morreu sozinho'

Ele lembra de acolher Diego Sá na capital goiana há dez anos, quando jovem se mudou para correr atrás do sonho de ser cantor. Segundo polícia, autor saiu com arma do crime e sumiu.

14/10/2020 08h42
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Diego Sá era cantor sertanejo e se apresentava em Goiânia e no interior de Goiás — Foto: Reprodução/Instagram
Diego Sá era cantor sertanejo e se apresentava em Goiânia e no interior de Goiás — Foto: Reprodução/Instagram

A morte do sertanejo Diego Souza Sá, de 29 anos, deixou indignação e revolta entre pessoas próximas à vítima. O cantor e sanfoneiro morreu após ser baleado por um amigo, em Goiânia, segundo registro da Polícia Civil. A princípio, o caso é tratado como um acidente que teria acontecido enquanto o autor mostrava uma arma para a vítima e um primo dela.

Padrinho dele, Cairo Mayron Ramos, disse que ainda se pergunta sobre como tudo aconteceu de forma tão repentina, interrompendo os sonhos do afilhado.

“A gente não tem noção se foi uma fatalidade, mas foi ao menos uma imperícia. Manusear uma arma sem ser perito nesse manuseio. [...] A gente não quer acusar ninguém, mas causa repulsa: o que o dono de um lava-a-jato tinha que estar mexendo com arma? O Diego não morreu sozinho, morreu muita gente com ele", disse, emocionado.

Sertanejo Diego Sá foi morto a tiro; Polícia Civil investiga se disparo foi de arma de amigo dele e se tiro foi acidental — Foto: Reprodução/Instagram

Diego foi morto na terça-feira (13). O corpo dele foi periciado pelo Instituto Médico Legal (IML) e liberado para a família na madrugada desta quarta-feira (14). O velório está agendado para acontecer a partir das 10h no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia.

Cairo contou que o afilhado, que é natural de São Miguel do Araguaia, no norte de Goiás, mudou-se há dez anos para Goiânia com um amigo para tentarem carreira na música. De acordo com o padrinho, o afilhado saiu do nada e, nesse tempo que morou na capital goiana, lutou muito para chegar onde queria.

“Era muito batalhador, muito alegre, muito positivo, para frente. Uma pessoa que não tinha nada e conseguiu se colocar no mercado, comprar casa, menino novo desses. Já tinha empresa, já estava seguindo seus passos sozinho”, contou.

O padrinho disse ainda que Diego tinha o sonho de ser conhecido e poder viver da música, que era a paixão dele.

Sonho da vida dele era ser cantor. Que seja reconhecido pelo menos na morte dele, que digam para todo mundo quem era esse rapaz. Ele chegou e aconteceu, mas, infelizmente, a vida reservou essa situação para ele”, completou.

Os pais dele viajaram, nesta madrugada, de São Miguel do Araguaia para Goiânia - para estarem presentes no enterro e velório. “Era muito querido”, acrescentou o padrinho do sertanejo.

 

Investigação

Parentes do cantor registraram que o músico acompanhava um primo, que tinha ido buscar o carro no lava-a-jato do autor do disparo. De acordo com a apuração inicial da Polícia Civil, chegando ao local, o dono, que era amigo dos dois, foi mostrar um revólver calibre 38 que havia comprado.

O boletim de ocorrência descreve que "no manuseio da arma, o autor a disparou de algum modo, ferindo a vítima na cabeça. Em seguida ao ocorrido, o autor ficou aflito e saiu do local para pedir socorro médico e não retornou mais ao local, inclusive levando o revólver consigo".

Cairo disse que o primo de Diego que acabou presenciando tudo está extremamente abalado e medicado por causa do trauma e ainda não consegue falar sobre o que aconteceu.

Cantor sertanejo Diego de Sá morto após ser baleado — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Conforme a Polícia Civil, ele pode responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, quando se apresentar à delegacia.

Até esta publicação, o G1 não conseguira localizar o dono do lava-a-jato, que, segundo registros policiais, fugiu após o disparo. Portanto, não foi possível pedir a ele um posicionamento sobre o caso.

A reportagem tentou novo contato com a corporação na manhã desta quarta-feira, por mensagem, às 6h40, para saber novidades sobre o caso e aguarda resposta.

 

Luto

Diego Souza Sá deixa esposa e uma filha de 2 anos. Ele fazia shows em Goiânia e em cidades do interior do estado.

Durante a pandemia, como teve de se afastar dos palcos, ele abriu uma empresa de linguiças artesanais, por meio da qual estava ajudando a manter a família.

 

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