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Polícia INVESTIGAÇÃO

Polícia apura motivo de empresa de filho do Cachoeira comprar terreno público de R$ 5 milhões por R$ 52 mil

Segundo a polícia, áreas públicas seriam vendidas a empresa do filho de Cachoeira por um preço muito inferior ao de mercado.

25/10/2020 07h51
Por: Kamila Reis Fonte: G1
A Polícia Civil investiga como o empresário Matheus Henrique Aprígio Ramos, filho de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conseguiu comprar um terreno de 22 mil metros quadrados do Governo de Goiás, localizado no Distrito Agroindustrial de Anápoli
A Polícia Civil investiga como o empresário Matheus Henrique Aprígio Ramos, filho de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conseguiu comprar um terreno de 22 mil metros quadrados do Governo de Goiás, localizado no Distrito Agroindustrial de Anápoli

A Polícia Civil investiga como o empresário Matheus Henrique Aprígio Ramos, filho de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conseguiu comprar um terreno de 22 mil metros quadrados do Governo de Goiás, localizado no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), por R$ 52 mil, enquanto o valor estimado no mercado é de R$ 5 milhões.

A defesa de Carlos Augusto Ramos disse ao G1 que desconhece os autos. A reportagem não localizou a defesa de Matheus Ramos e dos demais citados. A Codego disse que está à disposição da Polícia Civil e que a atual direção preza pela transparência.

A irregularidade em investigação se refere ao destino final do contrato assinado entre a empresa de Matheus Ramos e a Codego. O DAIA é designado para a instalação de indústrias e a polícia argumenta que seria construído um shopping no local. Além disso, a empresa ETS Importação e Exportação, de propriedade de Matheus Ramos, já passou pelas mãos de várias pessoas.

O delegado Pedro Caires, que conduz a apuração, argumenta que no meio do negócio os envolvidos alteraram o objeto de exploração para atividade comercial, que seria a construção de um shopping e a exploração de atividade imobiliária. No entanto, o processo permitiu que esses lotes fossem alienados a preços subsidiados, o que já passa a ser proibido, segundo o delegado.

"O que começou a ser investigado foi a alienação irregular desses terrenos públicos, a empresa apresentou um pedido de compra à Codego, que é uma empresa pública. A princípio planejavam explorar no local atividade industrial, por isso que se permitiria a alienação desse imóvel a preço subsidiado", explica o delegado Pedro Caires.

 

Mandados de busca e apreensão

Na sexta-feira (23), a Polícia Civil esteve em 10 endereços na capital e também em Anápolis para cumprir mandados de busca e apreensão de documentos. Um dos locais foi a casa de Carlinhos Cachoeira e em endereços da ex-mulher dele, Andressa Mendonça.

Na lista também estavam endereços de pessoas ligadas à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego). Policiais cumpriram mandados contra Carlos Cesar Toledo, o Cacai, que era ex-diretor-administrativo da Codego, Marco Cabral, ex-presidente da Codego, Edumont Parreira Júnior, ex-diretor-jurídico da companhia e Isismar Nascimento, que era chefe do controle interno.

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de Cachoeira, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

 

Transferências

Segundo a investigação, um dos interesses da empresa era construir um shopping dentro do DAIA, o Distrito Agroindustrial de Anápolis, que só pode receber indústrias. O projeto começou a ser negociado em 2017 com a Codego.

"Inicialmente ela havia sido registrada no nome de uma pessoa. Esse indivíduo quando constituiu a empresa, no ano de 2015, era funcionário do Carlos Cachoeira. Vimos que em 2017 essa empresa foi transferida para o nome da esposa do Carlos Cachoeira e, posteriormente, no começo de 2018, para o filho do Carlos Cachoeira", explica o delegado.

Caires afirma que até então havia um negócio aparentemente lícito, pois ninguém sabia que o Matheus e o Carlos Cachoeira estavam envolvidos. Os nomes deles não apareciam nos processos que tramitavam da forma correta, inclusive com pareceres favoráveis.

 

Investigação

São investigados quatro funcionários públicos e quatro empresários. Eles são suspeitos de alienação de bem público, associação criminosa, supressão de documento público e falsidade ideológica.

Segundo a polícia, a operação é um complemento de outras já realizadas neste ano para investigar irregularidades em um contrato feito entre a Codego e a empresa ETS Importação e Exportação.

Dois terrenos públicos localizados no DAIA seriam repassados à empresa do filho de Cachoeira “sem as devidas formalidades para dispensa de licitação”. O processo para compra das áreas começou em 2017. Para a polícia, a principal hipótese é que foi montado um esquema com empresas laranjas para realizar a negociação e que servidores da Codego tinham conhecimento da irregularidade.

Em julho desse ano, a polícia já tinha começado a investigar o contrato. A suspeita é que os terrenos seriam vendidos por um preço muito abaixo do recomendado. Após o início das investigações, o acordo foi rompido. O Ministério Público também começou a apurar as supostas irregularidades.

 

Carlinhos Cachoeira

Carlinhos Cachoeira já foi condenado em 2012 a 8 anos de prisão por corrupção e fraude em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Ele também já foi investigado na Operação Monte Carlo, que começou em 2012 e revelou um esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção em Goiás e no Distrito Federal. Foi investigado o pagamento de propinas e recebimento de vantagens indevidas envolvendo políticos e empresários.

Carlinhos Cachoeira durante depoimento prestado em 2016 — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

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