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Pesquisa da UEG mostra impacto das queimadas no Cerrado por meio da análise de formigas

Estudo feito durante quatro anos concluiu que queimadas controladas realizadas por brigadistas para evitar incêndios trazem menos prejuízo do que quando o fogo é causado por outros fatores. Segundo especialista, insetos foram usados por 'responderem de forma rápida às modificações do meio ambiente'.

16/11/2020 07h30
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Pesquisa da UEG mostra impacto das queimadas por meio de formigas — Foto: Arquivo pessoal/Filipe Viegas
Pesquisa da UEG mostra impacto das queimadas por meio de formigas — Foto: Arquivo pessoal/Filipe Viegas

Uma pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) mostra o impacto de queimadas em vegetação com base no comportamento de formigas. O estudo, realizado durante quatro anos, concluiu que incêndios controlados realizados por brigadistas, no início do período de seca, trazem menos prejuízo do que quando o fogo é causado por outros fatores, ao final do período de estiagem.

A gente percebeu que um ano após as queimadas controladas, várias espécies de formigas conseguiram se recuperar. No caso das queimadas de setembro, após um ano, algumas espécies ainda estavam desaparecidas”, afirmou Filipe Viegas de Arruda, autor da pesquisa.

O trabalho foi desenvolvido pelo estudante para o doutorado em Recursos Naturais do Cerrado, entre 2016 e 2020, sob orientação do professor Fabrício Barreto Teresa. Ele explicou que usou formigas para o estudo porque, segundo ele, elas respondem rapidamente às modificações e perturbações do meio ambiente.

"Utilizando as formigas, a gente consegue avaliar, por exemplo, como o fogo impacta a biodiversidade de uma determinada área. Além disso, as formigas também vivem no solo e nas árvores e, consequentemente, isso nos permitiu observar se o fogo impacta de diferentes formas os animais que vivem nas árvores e no solo. Além, disso os estudos com as formigas arborícolas mostram como animais e plantas são impactados pelas queimadas ", explica.

Ninho de formigas montados em árvores para estudo sobe impacto de incêndios da Universidade de Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Filipe Viegas

A pesquisa estudou dois tipos de queimadas. A primeira, foram as queimadas controladas que são feitas no início do tempo seco, geralmente no mês de maio, por órgãos ambientas na intenção de criar corredores para evitar a propagação de incêndios maiores e facilitar o controle.

O segundo tipo são as queimadas ocasionadas pela ação do homem, muitas vezes de forma criminosa, no final do período de estiagem, em setembro.

Parte dos dados do estudo foram publicados na revista científica Ecological Indicators, sob o título "Different burning intensities affect cavity utilization patterns by arboreal ants in a tropical savanna canopy" (Diferentes intensidades de queima afetam os padrões de utilização de cavidades por formigas arborícolas em um dossel de savana tropical).

Filipe conta que a experiência com o manejo integrado do fogo durante o doutorado trouxe uma nova oportunidade. Logo após concluir o doutorado, ele foi selecionado para trabalhar como pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), onde dá continuidade às pesquisas com fogo no Pantanal.

Filipe e brigadistas durantes pesquisas no ano de 2016 para estudo da Universidade de Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Filipe Viegas

 

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