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Fazendeiro suspeito de mandar matar advogados dentro de escritório em Goiânia fica em silêncio durante interrogatório

Segundo a Polícia Civil, dois homens marcaram horário de atendimento, esperaram e atiraram contra as vítimas Marcus Aprígio Chaves e Frank Alessandro Carvalhaes, que morreram no local.

20/11/2020 07h00
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Fazendeiro Nei Castelli é preso suspeito de mandar matar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Fazendeiro Nei Castelli é preso suspeito de mandar matar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O fazendeiro Nei Castelli, de 58 anos, suspeito de mandar matar dois advogados dentro do escritório em Goiânia, ficou em silêncio durante interrogatório na Delegacia de Homicídios, nesta quinta-feira (19), segundo o delegado responsável pela investigação, Rhaniel Almeida.

O advogado de defesa do fazendeiro, Carlos Humberto Fauaze, informou ao G1 que o cliente foi orientado a ficar em silêncio e que entrou nesta quinta-feira com um habeas corpus na Justiça de Goiás pedindo a soltura de Nei Castelli.

A polícia realizou a prisão do fazendeiro na terça-feira (17), em um posto de combustível na BR-050, em Catalão, no sudoeste de Goiás. Ele foi o último suspeito de envolvimento no crime preso pela polícia.

O crime contra os advogados Marcus Aprígio e Frank Carvalhaes aconteceu em 28 de outubro, por volta de 14h30. De acordo com a Polícia Civil, dois homens agendaram horário com os advogados. Ao chegarem ao escritório, no Setor Aeroporto, eles entraram e esperaram. Ainda conforme o relato, a secretária os levou até a sala dos advogados, momento em que os criminosos colocaram as vítimas de costas e disparam.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o motivo do crime seria disputa por terras em São Domingos, no nordeste de Goiás. Os advogados mortos teriam trabalhado em processos judiciais contra familiares do fazendeiro.

Da esquerda para a direita, advogados Marcus Aprígio Chaves e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/OAB-GO

 

Os cinco suspeitos de envolvimento na morte são:

Pedro Henrique Martins: suspeito de ter matado os advogados. Ele foi preso em Porto Nacional (TO), no último 30 de outubro;

Jaberson Gomes: suspeito de marcar horário com os advogados e acompanhar Pedro Henrique no dia do crime. Ele foi morto em confronto com a PM de Tocantins em 30 de outubro;

Hélica Ribeiro Gomes: namorada de Pedro Henrique, presa em 9 de novembro, Porto Nacional (TO);

Cosme Lompa Tavares: suspeito de ser o intermediário das mortes, preso em 9 de novembro em Palmas (TO);

Nei Castelli: fazendeiro suspeito de ser o mandante do crime. Ele foi preso em 17 de novembro, em Catalão.

 

Pagamento aos executores

Com a prisão de Nei Castelli, a Polícia Civil divulgou os valores que os supostos executores do crime receberiam em duas situações diferentes.

Caso os suspeitos não fossem presos depois dos homicídios, receberiam R$ 100 mil, e se fossem encontrados e capturados pela polícia, o valor subiria para R$ 500 mil.

Documento obtido com exclusividade pela TV Anhanguera mostra o passo a passo da investigação. Um trecho da decisão que autorizou a Polícia Civil realizar a prisão temporária de duas pessoas diz que uma denúncia anônima relatou que Hélica Ribeiro Gomes já sabia que os advogados seriam mortos em Goiânia.

Hélica é namorada de Pedro Henrique Martins, preso na casa dela em Porto Nacional (TO), no dia 30 de outubro. A mulher foi presa dias depois e em depoimento contou que as mortes foram encomendadas por Cosme Lompa Tavares, de 33 anos. Por esta razão, a polícia pediu a prisão de Cosme.

 

Investigação

Pedro Henrique Martins é apontado na investigação como a pessoa que atirou contra os advogados. Foram três tiros em uma vítima e um em outra. Segundo o delegado Rhaniel Almeida, ele é um dos maiores matadores de aluguel do Tocantins.

De acordo com a Polícia Civil, Jaberson Gomes é o outro suspeito que acompanhou Pedro Henrique no dia da execução. Ele morreu em confronto com a Polícia Militar do Tocantins, em 30 de outubro. Gomes foi a pessoa que ligou, agendou e monitorou a rotina dos advogados em Goiânia.

A Polícia Civil suspeita que Marcus Aprígio e Frank Carvalhaes foram mortos por trabalharem em um processo judicial por disputa da posse de uma fazenda avaliada em R$ 46 milhões, em São Domingos, no nordeste de Goiás. Os advogados ganharam a posse do imóvel para seus clientes, e derrotaram a família de Nei Castelli, segundo a polícia.

 

Crime planejado

Segundo o delegado Rhaniel Almeida, o crime foi planejado e a dupla viajou mais de 1 mil km de Tocantins para Goiânia. Pedro Henrique e Jaberson Gomes chegaram à capital no dia 24 de outubro e se hospedaram em um hotel no Centro da capital até o dia 28, data em que os advogados foram assassinados. O delegado diz que os dois estudaram a rotina das vítimas antes do crime.

Segundo o depoimento de uma funcionária do escritório, um homem marcou horário com um dos advogados dias antes. No dia do crime, um rapaz se identificou com o mesmo nome da pessoa que fez a ligação anteriormente foi até o escritório acompanhado de um colega. Eles esperaram para serem atendidos.

De acordo com Rhaniel, poucas horas após o crime, a dupla fugiu para Anápolis, onde embarcou em um ônibus com destino a Palmas, no Tocantins, mas desceu em Porto Nacional.

 

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