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Estudante com cabelo black power denuncia que sofreu racismo após foto postada sem autorização, em Goiânia

Mulher publicou foto de Marcos Paulo Goes Lima, de 26 anos, e escreveu 'Rodolffo, corre aqui'. Segundo jovem, ela fez referência à polêmica que ocorreu no BBB envolvendo o cantor, que comparou o cabelo do professor João Luiz com a peruca de um homem das cavernas.

14/04/2021 05h34
Por: Kamila Reis Fonte: G1
Estudante com cabelo black power denuncia que sofreu racismo após foto postada sem autorização, em Goiânia — Foto: Reprodução/Instagram
Estudante com cabelo black power denuncia que sofreu racismo após foto postada sem autorização, em Goiânia — Foto: Reprodução/Instagram

O estudante de publicidade e propaganda Marcos Paulo Goes Lima, de 26 anos, denuncia que sofreu racismo após uma mulher postar uma foto dele sem autorização, em Goiânia. No post, a pessoa publicou uma foto do jovem e escreveu: “Rodolffo, corre aqui”. Segundo Marcos, ela fez referência a uma polêmica que ocorreu no Big Brother Brasil envolvendo o cantor, que comparou o cabelo do professor João Luiz com a peruca de um homem das cavernas.

“Uma mulher que nunca vi tirou uma foto minha e postou no Instagram. O objetivo era retomar uma polêmica do BBB, em que o cantor sertanejo compara o cabelo do João a uma peruca feia e suja. Se você acha que não é racismo, faça a inversão da situação: imagine alguém na frente do supermercado tirando foto sua e compartilhando sem sua autorização com um comentário polêmico”, desabafou.

Após a repercussão do caso, a mulher apagou a foto e fez outra publicação dizendo que em "momento algum quis ofender alguém" e que foi mal interpretada. O G1 tentou contato com ela, por mensagem enviada às 16h11, e aguarda retorno.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria do cantor Rodolffo. A equipe informou que não irão comentar o assunto.

Marcos conta que a situação aconteceu na sexta-feira (9), na hora do almoço. Ele disse que foi a um supermercado, no Setor Marista, junto a um colega. Na hora de ir embora, ele saiu primeiro do local e ficou na porta aguardando o amigo. Neste momento, a mulher fez a foto, sem que ele percebesse.

“Eu estava esperando um amigo meu que estava lá dentro. Ele estava demorando, e eu fui procurar por onde ele estava, e a pessoa tirou a foto. Eu sou meio avoado e na hora eu nem percebi. Eu fui embora e segui minha vida. Quando eu volto do almoço, uma colega me mostra a foto e pergunta se seria eu”, disse.

Marcos disse que decidiu 'não se calar', após ser vítima de racismo, em Goiânia — Foto: Reprodução/Instagram

Após perceber a situação, Marcos conta que usou as redes sociais para desabafar. Ele ficou surpreso com a quantidade de apoio que está recebendo desde a publicação, que já reúne mais de 146 mil curtidas em uma rede social até as 16h30 de terça-feira (13).

“Na hora eu entendi que o conteúdo era racista, mas fiquei assustado. Falei: ‘Caramba, o que está acontecendo?’. Usei as redes sociais para desabafar, e aconteceu esse 'boom'. Muita repercussão e, infelizmente, por uma situação negativa. Mas eu estou recebendo muito carinho e apoio”, contou.

Ainda segundo o estudante, ele se tornou “mais uma vítima” de racismo, mas decidiu não se calar. Por isso, ele falou que pretende registrar o caso na Polícia Civil ainda nesta semana. Ao G1, a Polícia Civil informou que só vai se pronunciar quando o caso for registrado.

“Isso não é questão de se exibir, de querer palco, mas é uma questão de existência. Por que um homem preto não pode estar em um lugar assim? Por que minha imagem causa tanto para ela ali? O que eu quero é entender o que aconteceu para ela fazer essa postagem. Eu queria que ela refletisse sobre. Fui mais uma vítima, mas eu abri minha boca”, disse.

 

Direito de imagem

O advogado Rafael Maciel, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados Pessoais, acredita que este caso fere o direito de imagem da pessoa, além de ter conotação racista.

“Esse direito de imagem, que está no Código Civil, a gente pode impedir a utilização indevida dessa imagem, ou seja, a pessoa que postou pode ser demandada a excluir e, nesse caso, como houve uma difamação, porque ela também está com comentário preconceituoso e racista, pode também cobrar indenização dessa pessoa, sem falar nas consequências penais, por ela ter cometido um crime de racismo”.

Ainda de acordo com Maciel, durante um processo envolvendo o uso de imagem sem autorização, como o caso de Marcos, a defesa dos acusados podem argumentar que a suposta vítima não teve o rosto divulgado. Entretanto, o advogado esclarece que a imagem tem atributos que levam à identificação de uma pessoa.

Além disso, o advogado avalia que a autora da imagem pode ter penalidade criminal pela conotação preconceituosa do comentário.

“Sem dúvida nenhuma, estamos falando de violação do uso de imagem com uma difamação sujeita a indenização e, claro, a efeitos criminais, se não por racismo, minimamente, por difamação, que é um crime contra a honra”, opinou o advogado.

 

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